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quarta-feira, 9 de março de 2016

Crise leva casal de idosos a morar dentro de contêiner em Campinas

Estrutura foi doada por desconhecido quando aposentados faziam barraco.'Se estivesse pagando aluguel estaria devendo 10 meses', desabafa idoso.
Casal de Hortolândia se muda para um conteiner em Campinas (Foto: Reprodução EPTV)
Com a crise econômica, a dificuldade em pagar o aluguel levou o casal de idosos Cláudia Rodrigues e José Souza, de Hortolândia (SP), a morar dentro de um contêiner em Campinas (SP). A moradia improvisada de 6 metros de comprimento por 2,40m de largura  foi doada por um desconhecido em janeiro deste ano, quando os aposentados construíam um barraco de madeira na região central do município.
Eu sempre penso e sonho com isso, de ter um lugarzinho meu e dela"
José Souza, aposentado
"Eu pagava R$ 600 mais a luz. Aí eu fui procurar outro lugar. Se eu tivesse pagando aluguel eu já estaria devendo uns 10 meses. E dever é chato, eu não gosto", conta o morador de 75 anos, sobre preferir morar no conteiner do que ficar endividado.
 Aposentadoria gasta com remédios

O espaço onde moram hoje é abafado e conta com poucos móveis. A maior parte do salário mínimo que ganham é gasta com remédios. Na terça-feira (8) , o almoço deles era arroz com banana. Os alimentos e a água vieram de doações.
De acordo com o idoso, eles também não podem se dar ao luxo de tomar banho sempre. "Toda semana eu tomo um banho. Se tomar dois, a água acaba antes do dia", lamenta. 
Sonho da casa própria
O casal chegou a entrar na fila da casa própria, mas ainda não conseguiu. Só em Campinas, mais de 33 mil pessoas estão na espera.

Ao redor do contêiner, eles criam galinhas e têm uma pequena plantação, onde passam o tempo a espera de um lugar melhor para viver. "É um sonho. Eu sempre penso e sonho com isso, de ter um lugarzinho meu e dela", desabafa.
Casal de Campinas mora em um conteiner em Campinas (Foto: Reprodução EPTV)

Explosão de gás deixa ao menos dois mortos e feridos em Taboão da Serra

Uma vítima teve 90% do corpo queimado e foi levada ao HC.
Dez carros dos bombeiros foram para o acidente na Rua Carlos Grotte.


Explosão em Taboão (Foto: Reprodução)


Uma explosão de gás destruiu uma casa e deixou ao menos duas pessoas mortas e duas feridas em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, na manhã desta quarta-feira (9).
A primeira vítima morreu no local da explosão. A segunda vítima, Maria Edilzia, teve duas paradas cardíacas e morreu no Pronto Socorro Antena, em Taboão da Serra, segundo a Prefeitura do Município.
Segundo os bombeiros, as vítimas foram retiradas dos escombros, uma delas com 90% do corpo queimado que foi levada ao Hospital das Clínicas, em São Paulo. Ao menos três ambulâncias e dez carros do Corpo de Bombeiros foram para a Rua Carlos Grotte, onde ocorreu o acidente.
A Defesa Civil avalia se os imóveis no entorno da casa destruída serão interditados. Segundo avaliação preliminar dos bombeiros, houve vazamento no botijão de gás. Técnicos da Cetesb vistoriaram o local e afirmaram que também há tubulação de gás embaixo da casa que explodiu.


Naná Vasconcelos morre aos 71 anos vítima de câncer, no Recife

O músico estava internado no Hospital da Unimed, no Recife.
Percussionista teve parada respiratória e faleceu na manhã desta quarta(9).


O percussionista Naná Vasconcelos durante Festa de Carnaval no Marco Zero na cidade do Recife (PE), no dia 5 de fevereiro de 2016 (Foto: Pablo Kennedy/Futura Press/Estadão Conteúdo)
O percussionista Naná Vasconcelos, de 71 anos, morreu na manhã desta quarta-feira (9), noRecife.  Ele estava com câncer de pulmão.
De acordo com a assessoria do Hospital Unimed III, onde estava internado, o músico teve uma parada respiratória e passou por um procedimento, mas não resistiu e faleceu às 7h39. Até o último dia 29, ele estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da unidade de saúde, mas, depois, foi transferido para um quarto, onde pôde ter mais contato com a família.
No ano passado, o artista passou mais de 20 dias no mesmo hospital, após descobrir o câncer. Segundo Patrícia Vasconcelos, esposa e produtora do músico, Naná passou mal após um show realizado em Salvador, na Bahia, no dia 28 de fevereiro, com o violoncelista Lui Coimbra. Ao retornar ao Recife, foi internado.

Em 2015, Naná também se sentiu mal antes de um show, mas achou que não era nada demais e seguiu com a agenda. No Recife, após uma bateria de exames, foi constatado o câncer. "Pegou todos de surpresa porque ele havia feito um raio-x do pulmão no ano passado (2014) e uma revisão geral há dois meses e nada foi encontrado. Foi tudo muito rápido, um susto", declarou a esposa à época.

Naná Vasconcelos retorna ao palco do Marco zero para participação no show comando por Maestro Forró (Foto: Aldo Carneiro/Pernambuco Press)
Ao ser liberado, pouco mais de 20 dias depois, o músico falou sobre o desafio de enfrentar a doença. "Eu tenho essa situação, e tenho que enfrentar com força, pensamento positivo. E vou enfrentar com o pensamento de que eu vou chegar lá", disse no ano passado. Naná prosseguiu, então, com o tratamento, que incluiu sessões de quimioterapia e de radioterapia, por 40 dias.
Apesar do câncer, Naná participou da abertura do Carnaval do Recife no Marco Zero, neste ano, na companhia de 400 batuqueiros. E seu último carnaval, o percussionista dividiu o palco com o Clube Carnavalesco Misto Pão Duro, grupo centenário homenageado no carnaval do Recife, com o Maracatu Nação Porto Rico, também celebrado, e com os cantores Lenine e Sara Tavares, de Cabo Verde.


Naná Vasconcelos é o homenageado do carnaval 2013. (Foto: Sérgio Figueirêdo/ Prefeitura do Recife)
Apelidado de Naná pela avó, a música sempre foi a mola propulsora de Juvenal de Holanda Vasconcelos. Ele não media palavras para descrever seu amor e conexão com ela. Era como se a música fosse a energia, a batida, que movia o coração do percursionista.

No ano de 1960, Naná deixou o Recife e foi morar no Rio de Janeiro, onde gravou dois discos com Milton Nascimento. Com o cantor Geraldo Azevedo, viajou para São Paulo para participar do Quarteto Livro, que acompanhou Geraldo Vandré no icônico Festival da Canção

Naná Vasconcelos comanda primeiro ensaio de maracatu para o carnaval (Foto: Thays Estarque/ G1)
A obra de Naná foi propagada e respeitada dentro e fora do Brasil. Ele fez parte do grupo Jazz Codona, com o qual lançou três discos. Chegou a gravar com B.B King, com o violinista francês Jean-Luc Ponty e com a banda Talking Heads, liderada por David Byrne, um dos grupos precursores do movimento "new wave". Nacionalmente, ele participou de álbuns de Milton Nascimento, Caetano Veloso, Marisa Monte e Mundo Livre S/A.

O pernambucano também fez trilhas sonoras para filmes nacionais e norte-americanos. Foi eleito oito vezes, por revistas especializadas em música nos Estados Unidos, como o melhor percussionista do mundo.

Em contraponto, por sempre acreditar que a música podia transformar e melhorar a vida das pessoas, também era um humanitário nato. Naná foi responsável por criar diversos projetos sociais como o "Língua Mãe", que reuniu crianças de três continentes: América do Sul, Europa e África. Naná também defendia levar a música para dentro das comunidades carentes do Recife como forma de incentivo à educação e cultura.

Há 15 anos, a abertura do carnaval do Recife seguia sob o comando firme e talentoso de Naná. Com 12 maracatus, 600 batuqueiros e o coral Voz Nagô, o marco ocorria sempre na sexta-feira de carnaval, levando magia e beleza para a multidão de foliões. Um espetáculo que só a criatividade de Naná e a força do carnaval pernambucano podiam criar.